Por
Bruno Accioly em
10 de
December de
2007
Roleplaying Game e a Pedagogia da Imaginação no Brasil, de Sonia Rodrigues
Com o título de “Roleplaying Game e a Pedagogia da Imaginação no Brasil”
, o livro de Sonia Rodrigues, da Editora Bertrand Brasil, é resultado do primeiro estudo acadêmico sobre RPG levado a cabo por uma universidade brasileira.
Poderia facilmente se tratar de uma abordagem apaixonada e apologética sobre o Roleplaying Game, como não é difícil encontrar por aí, mas o livro de Sonia Rodrigues aborda o assunto com imparcialidade e rigor acadêmico impecável, enquanto descreve seus defeitos e qualidades intrínsecos, sem deixar de supor caminhos que, se tomados, enriqueceriam o RPG enquanto produto e o tornariam mais do que simples ferramenta de entretenimento.
O livro faz uma análise tão detalhada quanto possível do “Advanced Dungeons & Dragons”
e do “Vampiro, A máscara”
, do ponto de vista literário, fazendo observações constantes a respeito do potencial pedagógico e do resultado subjacente a tentativa destes livros-jogos de formar, em poucas centenas de páginas, contadores-de-história criativos e dinâmicos, capazes de fazer referências cruzadas a produtos da cultura pop.
Defendendo constantemente que é possível ensinar o “contar-histórias” e que a técnica narrativa não é substituída pelo talento mas dele se beneficia, Sonia Rodrigues constrói pontes entre a narrativa das aventuras de RPG, o conceito de Conto Maravilhoso, de Vladimir Propp; de Pedagogia da Imaginação, de Bachelard e Italo Calvino; e a forma narrativa usada por Monteiro Lobato.
Roleplaying Game e a Pedagogia da Imaginação no Brasil, de Sonia Rodrigues - Contra-Capa
Seu livro, nesta medida, caracteriza o RPG como ferramenta incidentalmente positiva na formação cultural, literária e até moral, tendo em vista o uso de línguas estrangeiras, o exercício da imaginação, a organização estrutural narrativa e as escolhas e dilemas morais dos quais estão imbuídos o produto final de aventuras de RPG.
Com referências a Propp, Lobato, Adistóteles, José de Alencar, Auden, Barthes, Bentley, Eagleton, E.M.Foster, Kothe, Todorov e “grande elenco”, Sonia Rodrigues articula o bem estruturado discurso de que mesmo o extremo talento tem grandes ganhos com o conhecimento acadêmico-literário. Mais que isso, com a criação - que ela mesma assina - de um título de RPG cujo nome é “Autoria”, a autora pontua lindamente o valor que empresta a esse gênero ainda embrionário da literatura.
Sem querer contar da história o final, mas visitando as últimas páginas da obra, aponto o fato de que se há quem possa falar de talento literário é a própria autora, que além de conviver com o próprio, teve a oportunidade de estar exposta ao talento do pai, Nelson Rodrigues, referência obrigatória de Literatura Brasileira!
O que tenho a dizer, enfim, é que não se sai do mesmo jeito pelo outro lado desta obra!
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- Site oficial do Livro de Sonia Rodrigues
- Site oficial do RPG criado por Sonia Rodrigues

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Por
Bruno Accioly em
28 de
September de
2007
Edições Perigosas, de John Dunning
O livro de John Dunning, editado no Brasil pela Companhia das Letras, provavelmente vai dar certo trabalho a quem quiser lê-lo e fazer os sedentários andarem uns bons pedaços de chão antes de poderem se dizer felizes proprietários de um exemplar.
O personagem principal, Cliff Janeway, é um detetive de polícia, que divide seu tempo entre desvendar crimes e colecionar livros. A inusitada combinação rendeu frutos para Dunning, que teve a primeira edição do livro em 1992, mais tarde transformada em uma trilogia, cujos outros títulos são “Impressões e Provas” e “A Promessa do Livreiro”.
Em “Edições Perigosas”, Janeway vê seu hobby convergindo com sua profissão quando do assassinato de um mascate de livros. O que poderia ser somente mais um caso de assassinato se transforma em um mistério envolvente.
Com um personagem com o qual o leitor facilmente se identifica e com informações peculiares e interessantes acerca da vida como alfarrabista, a deliciosa prosa de Dunning não gosta de deixar o leitor largar o livro.
John Dunning
O tom noir dado por uma narrativa detetivesca – que remete a “Chinatown” e “A Chave do Enigma” – acaba sendo tão atrativa e consistente em 1986 (data em que se passa a história) quanto o seriam em sua origem na década de 40. O que destoa é o fato de Janeway estar longe de ser um anti-herói, sendo uma figura com a qual o leitor não tem dificuldades de se identificar, o que acentua ainda mais o contraste entre o meio inóspito e a figura do herói.
Mas os parágrafos brilham mesmo, em “Edições Perigosas”, quando Dunning narra o amor e conhecimento de Janeway acerca de livros, tipografia e de toda sorte de detalhes da vida de um bibliófilo. Um especialista em livros raros, Dunning fala com propriedade do tópico e acaba sendo bastante didático na tentativa de fazer-nos entender o que está em jogo.
John Dunning nasceu em Nova Iorque, em 1942. Educado na Carolina do Sul, o autor foi jornalista no Denver Post e livreiro por muitos anos. Tendo parado de escrever por muitos anos, voltou a pedido de amigos escritores e foi pelo fruto deste trabalho – “Edições Perigosas” – que recebeu o Prêmio Nero Wolf. Hoje, só negocia primeiras edições e com clientes especiais.
Para quem não pretende correr pelos sebos da cidade, abaixo segue o link para compra na Companhia das Letras.
As obras dedicadas ao detetive Cliff Janeway são:
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- Companhia das Letras . Edições Perigosas (R$ 43,50)
- Companhia das Letras . Impressões e Provas (R$ 47,00)
- Companhia das Letras . A Promessa do Livreiro (R$ 47,00)
- Submarino.com.br . A Promessa do Livreiro (R$ 45,00 ou em 4x)

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